O Caminho das Missões


O Caminho das Missões

Memórias, Fatos e Lendas

Neste livro denso e surpreendente, Luís Veiga compartilha suas memórias pessoais e experiências profissionais, revelando segredos, histórias ocultas, lendas e crenças que o guiaram desde sempre em uma busca por novas descobertas e sentidos existenciais. Com uma narrativa envolvente, Veiga nos leva em uma jornada de aventura e exploração, descobrindo a essência de lugares e culturas que marcaram sua trajetória. Nascido em Porto Alegre e criado em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, Veiga desenvolveu uma conexão profunda com o Mato Castelhano, região em que habitavam seus antepassados, e o Caminho das Missões, ancestral rota indígena que ligava os Campos das Missões aos Campos de Piratininga, percurso histórico que inspirou sua obra.

Reencontro
Por Walny Soares

Como saber quando estamos tangenciando o próprio limite ou tangenciando a própria tragédia? Este dilema emoldura a narrativa deste livro devido a natureza dos fatos, lendas e memórias apresentados pelo autor, e pela forma ousada, voluntariosa e obstinada como se jogou ao encontro dos acontecimentos que
 instigaram, desafiadoramente, a curiosidade que preside suas decisões.

O livro é uma abrangente e minuciosa reportagem, onde os
 entretítulos se assumem como capítulos interdependentes, 
vigorosamente enlaçados pelo ímpeto desbravador do repórter. Dotado de singular sensibilidade jornalística, Luís Veiga
 conduz o leitor para o vislumbre dos embates entre os interesses portugueses, espanhóis e ingleses, envolvendo o milenar caminho das missões, criado pelas nações indígenas pré-coloniais. A visão 
revela lendas e valores culturais resilientes às imposições jesuíticas, tudo despojado de juízos de valores, representando tão
 somente fatos transparentes, destinados ao acervo de conhecimentos.

Fiel à vocação para tangenciar os limites, na garimpagem do 
inusitado e surpreendente; perseverante na comunicação
 despojada de radicalismos, Luís Veiga, após peregrinar em busca 
dos tesouros ocultados pelos jesuítas no século XVII, transformou-se 
em jornalista itinerante, colhendo cenários político-sociais na América do Sul, Estados Unidos, Europa e África.

Conheci Luís Veiga em maio de 1977, quando ele tinha 18
 anos de idade. Um ano antes, ele e os amigos Werner Günther e Ronaldo Amaral haviam praticado a proeza de serem os primeiros aventureiros a percorrerem o fundo do temível cânion Fortaleza dos Aparados da Serra. Uma expedição dramática, inclemente e 
anônima. A história me foi narrada na redação do Correio do Povo, jornal aonde eu trabalhava, e publicada em 5 de junho de 1977.

Decorridos 41 anos de silêncio entre nós, tivemos nosso segundo encontro. Ele residia em São Paulo e, em rápida viagem a Porto Alegre, me procurou, comunicando que estava preparando 
um livro inspirado na reportagem que eu havia publicado. Nosso terceiro encontro, em abril de 2025, foi via internet, quando fui honrado com o convite para prefaciar o livro. Trata-se de uma obra fascinante, pelo timbre de afetuosidade entre autor e
 leitor desencadeado pela singeleza na narrativa dos episódios.

Sobre imagens e palavras
Por Ronaldo Ribeiro

Luís Veiga é sujeito de poucas palavras: essa foi minha primeira impressão do fotógrafo encabulado que, pelos idos dos saudosos anos 1990, surgiu pelas redações da Editora Abril com um portfólio debaixo do braço e muita vontade de colaborar. Logo encantou muitos editores. Falavam dele com interesse pelo trabalho e com incertezas a respeito da personalidade misteriosa. Me lembro que vi um primeiro ensaio seu na Quatro Rodas, sobre as gentes do interior capixaba, italianos e pomeranos que cultivam ainda um modo de vida camponês e austero entre imponentes montanhas, enormes pontões de pedra que brotam entre pequenas plantações e nesgas de Mata Atlântica. As paisagens e os retratos de Veiga tinham uma luz nova, um brilho, um olhar de personagens que pareciam cativados por quem os registrava e se entregavam com afeto e espontaneidade.

Luís Veiga veio e ficou – por um tempo, e depois se foi para outras paragens, como era de se esperar de sua natureza andarilha. Na Abril, virou fotógrafo de revistas de viagem e aventura. Andamos juntos pela Caminhos da Terra por lugares incríveis como a Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, e o interior do Marrocos. Me lembro bem de uma tarde específica no país africano. Fazia tanto calor na travessia entre Tanger e Marrakesh que, no carro sem ar-condicionado, ninguém sabia se era pior fechar ou abrir as janelas. O vento abrasivo queimava a pele dos braços, e os policiais que nos obrigaram a parar por excesso de velocidade prometiam tornar tudo ainda mais infernal em uma jornada que, como sempre, terminou maravilhosamente bem, ao cair da noite, entre mochileiros e malucos do mundo todo perdidos nas águas das Cascatas de Ouzoud, já perto da mágica Marrakesh.

Ler os relatos deste livro, tantos anos depois, confirmou minha impressão e ao mesmo tempo me surpreendeu. Luís Veiga é de fato sujeito de poucas palavras – ao menos na lida verbal com seus companheiros de estrada. Pois este livro traz histórias poderosas que transitam entre as memórias e os fatos e, de tão incríveis, se avizinham do campo das lendas. Como eu nunca ouvi tudo isso dele mesmo, nas vezes em que viajamos e conversamos durante os longos dias de jornalismo viageiro? O que é real e o que é imaginado? Até onde a mente de Veiga foi que seus pés não lhe levaram?

Não me interessam as respostas.

Importa mais saber que este livro contém histórias de um ser humano que não veio ao mundo à toa. Sua existência tem o nobre propósito dos observadores sensíveis que não apenas enxergam a vida cotidiana, mas a interpretam, racionalizam, redimensionam e se emocionam em busca de novos sentidos e possibilidades. O fotógrafo que viu tudo com seus próprios olhos, suas lentes e seu coração gigante se transforma nas páginas a seguir no Luís Veiga escritor, um sujeito de muitas palavras.

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